Por que eSports não devem entrar para as Olimpíadas tão cedo


Muito se tem especulado sobre a possibilidade dos eSports se tornarem Esportes Olímpicos.

Essa curiosa visão foi levantada depois que o Conselho Olímpico da Ásia, órgão que regula e organiza os Jogos Asiáticos de 2022 declarou que eSports serão modalidade medalhista nos jogos de 22. Tony Estanguet, Co-presidente da candidatura de Paris aos Jogos Olímpicos de 2024 expressou no começo de Agosto 2017 que estaria disposto a discutir essa possibilidade.

Talvez até lá os eSports atinjam um grau de maturidade que justifique sua entrada na agenda Olímpica. Afinal de contas, é um mercado que tem crescido entre 25%-35% ao ano e que a previsão para 2020 é que supere a marca de 1 Bi de dólares em receitas globais. É uma febre entre os Millenials, um público-alvo que está na mira do movimento olímpico, e amplamente popular na Ásia, região foco do COI pelos próximos anos.

A questão fundamental é: É possível (hoje) fundamentar a entrada dos eSports nos Jogos Olímpicos?

eSports é modalidade esportiva?

O debate sobre eSports ser uma modalidade esportiva (ou não) ganhou muita força recentemente e dividiu opiniões no mercado. eSports em sí, já possui um entendimento na literatura científica, que o define mais ou menos assim:

Esportes eletrônicos são:

“Uma forma de esporte onde o principal aspecto do esporte é facilitado por sistemas eletrônicos; a inserção de jogadores e equipes assim como o resultado do sistema de eSports é mediado pela interface humano-computador” (Hamari, 2017)

A entrada de grandes players do esporte no cenário de eSports tem reforçado o caráter esportivo da modalidade. Ainda assim não podemos tratar o fenômeno da mesma forma que tratamos os esportes olímpicos consolidados.

A cobertura midiática foi responsável, no passado, pelo desenvolvimento de muitas modalidades que hoje acompanhamos de perto. Possivelmente os eSports serão beneficiados por essa expertise, mas como falamos em outros posts: a força está na Internet.

eSports podem se tornar Esporte Olímpico?

Dentre os pré-requisitos para se tornar Esporte Olímpico, uma modalidade precisa de três atributos fundamentais:

  1. Sistema de regularização e gestão via uma Federação Internacional;
  2. Prática comprovado em, no mínimo, 70 países de 4 continentes;
  3. Deve seguir as regras Anti-Doping e respeitar a Carta Olímpica;

No cenário atual não há a menor possibilidade dos eSports se tornarem modalidade Olímpica considerando a pulverização de games sob esse guarda-chuva e a desorganização gerencial da modalidade. Não há um pensamento de gestão orientado para as Olímpiadas e a modalidade é praticamente determinada pelo interesse de empresas privadas como as Publishers e as organizadoras de campeonato.

Sem um organograma global semelhante ao que acontece nos Esportes Olímpicos, e com forte peso dos interesses de empresas privadas nas decisões da modalidade como é possível que eSports entrem para a agenda Olímpica?

A posição do Comitê Olímpico Internacional

Recentemente, Thomas Bach, atual Presidente do COI, saiu do silencio para manifestar suas principais preocupações sobre os eSports atuais:

“Queremos promover a não discriminação, a não violência e a paz entre os povos. Algo que não corresponde com os videogames (eSports) onde há violência, explosões e mortes. Temos que determinar um limite claro” – LaJugadaFinanciera

Além disso o executivo destaca a falta de organização devida a inexistência de uma Federação Internacional que construa esse diálogo com o COI, o que citamos anteriormente.

O argumento de Bach encerra em um questionamento muito pertinente sobre como seria possível o Comitê acordar a natureza olímpica a um produto comercial?

Com algumas questões primordiais ainda em discussão é muito cedo projetar a entrada dos eSports no movimento olímpico. Especulações do mercado à parte, vale acompanhar a profissionalização da possível modalidade e permanecer antenado nas decisões de negócios das empresas privadas envolvidas.

Ainda que não entre para as Olímpiadas, os eSports tem um caminho curioso de crescimento que independe do mercado esportivo.

Vamos observando

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