[Estratégia]Twitter e sua expansão no mercado “ao vivo”


Com a aquisição de mais direitos de cobertura e transmissão ao vivo de competições esportivas, shows e atrações de entretenimento o Twitter criou um atalho interessante para sua consolidação no streaming, colocando-se à frente de muitos broadcasters e provedores de serviços OTT. Ainda assim, desafios mercadológicos e de tecnologia podem frustrar os planos da plataforma.

Na TV do futuro, a batalha acirrada por conteúdo provocou uma divisão de estratégias no mercado: enquanto alguns buscam se desenvolver pela oferta de conteúdo próprio, como a Netflix, Youtube e Facebook, outros concorrem pelo conteúdo de terceiros, como os broadcasters tradicionais e o Twitter.

A fase atual do mercado é a de criação e fidelização do público primário, que está saindo do modelo tradicional da TV Paga ou já é adepto do consumo de TV pela Internet. Neste cenário o Twitter, em busca de sua identidade e relevância no digital, encontrou uma oportunidade de posicionamento nos eventos ao vivo, visão que tem norteado a agressiva posição da empresa na aquisição de direitos de transmissão e cobertura ao vivo das mais variedades atrações.

Nos últimos anos vimos o Twitter transmitir jogos do Wimbledon, NFL, WNBA, NBA; programas esportivos (em parceria com a Bloomberg), alguns shows e programas de entretenimento. Vimos também a transmissão de eventos de eSports e games incluindo a recente E3. Programas de notícias e negócios também tiveram transmissões.

1/Os novos acordos

Recentemente foram anunciadas as parcerias com a IGN para a Comic-Com 2017 em San Diego e com o torneio de tênis de Wimbledon.

No caso de Wimbledon, o acordo não envolve a transmissão integral das partidas (cujo direito é da ESPN) mas incluirá conteúdo diário com notícias e entrevistas, imagens de bastidores e destaques das partidas.

A parte interessante deste acordo, na verdade, é a nova forma de aproximação comercial ao mercado, com a eliminação do intermediário na negociação: o acordo de Wimbledon foi fechado diretamente com a “The All England Club”, dona dos direitos, sem intervenção de quem tem efetivamente os direitos de transmissão, no caso a ESPN. Ainda que forneça as imagens, a ESPN entra como coadjuvante neste acordo.

Quanto à Comic-Com 2017 em San Diego, optou-se pelo fortalecimento da parceria atual com a IGN (Webedia) e envolve a transmissão in loco, entrevistas com gigantes do mercado como a ABC, Lionsgate, Marvel, Netflix…, comentários ao vivo e pós-show dos anfitriões do IGN e convidados especiais. A cobertura também contará com trailers, imagens de bastidores, entrevistas com atores e produtores, cosplay e muito mais. Este modelo é o mesmo utilizado na cobertura da Exposição Eletrônica de Entretenimento 2017 (E3) em Los Angeles, também realizada em parceria com a IGN.


2/O mercado já reage contra

Em sua estratégia de crescimento, o Twitter está apostando em tudo: Da NFL ao Futebol Canadense, à WNBA, ao show da Ariana Grande… praticamente tudo pode, a qualquer momento, entrar na grade de transmissões.

Embora esse foco “tudo ao vivo” esteja ajudando a reforçar seu discurso de “aqui você vai descobrir o que está acontecendo agora”, pode estar prejudicando a plataforma na concorrência com grandes players, 1 na captura da atenção do público, uma vez que parte da oferta principal do Twitter não se trata de produtos de grande interesse geral (como, por exemplo, o futebol canadense) e 2 na aquisição de direitos de transmissão de eventos de alto padrão, como o caso da NFL, que teve seu valor de mercado quintuplicado pela Amazon no último ano.

Para escapar das dificuldades impostas, a plataforma está buscando alternativas para se manter relevante em todas as discussões importantes. Após perder os direitos da NFL, fecharam uma parceria de cobertura ao vivo com notícias e destaques, mas não jogos. Este pode não ser o melhor conteúdo da NFL, mas se encaixa com a reputação de notícias que o Twitter já tem. É, afinal, onde as notícias aparecem, são discutidas, e compartilhadas com outros veículos de comunicação.

A expectativa atual é de que o efeito da oferta cumulativa provoque curiosidade no público de buscar mais e mais novidades da plataforma, para ver se algo está sendo transmitido ao vivo.

3/O futuro do Twitter

Apostar em abundância de conteúdo ao vivo sem considerar o interesse geral dos usuários é uma estratégia que vai funcionar muito bem nesta fase de consolidação da plataforma no mercado de streaming, porém, se o Twitter não fôr capaz de se manter relevante nos maiores eventos esportivos e culturais, lamentavelmente voltará àquele limbo duvidoso que estava até 2014.

Outro problema importante a ser solucionado é a distribuição deste conteúdo ao vivo. Algumas transmissões são difíceis de encontrar e há pouca comunicação oficial sobre o que efetivamente está sendo transmitido na plataforma.

Ainda que haja desafios, esta nova fase do Twitter é bastante promissora e condizente com a realidade da transição do hábito de consumo da TV para a Internet. Resta saber como a concorrência irá se comportar diante de um competidor nativo digital do tamanho do Twitter no longo prazo.

Não se esqueça de assinar o Gestão Esporte Clube para receber as novidades do site diretamente no seu e-mail. Siga-me no Twitter para novidades em tempo real!

Créd. Img Destaque

Comente!